A Cúpula da Terra determinou que a Assembléia Geral das Nações Unidas, em um período extraordinário de sessões a serem realizadas em 1997, faria um exame dos progressos alcançados nestes cinco anos.

Assim, cinco anos depois da Rio-92, a ONU fez uma avaliação crítica dos resultados daquele encontro e da aplicação prática do desenvolvimento sustentável. Cinqüenta e três chefes de estado reuniram-se em Nova Iorque com o objetivo de acelerar a implementação da Agenda 21. A sessão resultou em um relatório e um programa para prosseguir a implementação da Agenda 21.

A Assembléia reconheceu o processo de globalização acelerada, bem como as intensas interações que vêm ocorrendo nas relações comerciais entre os países. Também reconheceu o crescimento de mercados de capitais e do investimento externo direto. Nesses cinco anos houve menores taxas de fertilidade e de crescimento populacional em todo o mundo, e ocorreram progressos no desenvolvimento institucional, no consenso internacional, na participação pública e nas ações do setor privado.

Entretanto, houve tendências negativas generalizadas. A operacionalização do desenvolvimento sustentável continuou insuficiente, com muitas dificuldades para superar interesses estabelecidos. Nos cinco anos desde a Rio 92, a pobreza e os padrões de consumo e produção permaneceram insustentavelmente altos. As desigualdades de renda se ampliaram entre e dentro de nações, e houve deterioração continuada do meio ambiente global.

O investimento externo direto está substituindo a assistência externa ao desenvolvimento, levando a benefícios seletivos, porque está baseado em objetivos econômicos e não de desenvolvimento. A Assembléia demonstrou preocupação com a falta de progressos na implementação da Agenda 21, especialmente nos países menos desenvolvidos, devido à falta de vontade política dos governos para catalisar as mudanças

Assim, embora a Eco 92 tenha sido o mais importante acordo de cúpula de todos os tempos, reunindo os Chefes de Estado de 179 países, além de um grande número de lideranças populares, ambientalistas e comunitárias reunidos no Fórum Paralelo das ONGs, a maioria dos países não vem cumprindo os acordos nela firmados. Para se ter uma idéia, a Convenção sobre Mudanças Climáticas previa o congelamento das emissões atmosféricas aos níveis de 1990, e os EUA não somente não a estão cumprindo, como estão propondo o que se chama Joint-Implementation, ou seja, comprar o direito de poluir, destinando dinheiro aos países pobres para projetos ambientais. Os países desenvolvidos são responsáveis por 82% das emissões que causam o efeito estufa, sendo que somente os EUA respondem por 29% do total.

Embora um número razoável de países tenha tomado algumas iniciativas, a maioria dos Governos Federais não tem feito muito esforço para a construção da Agenda 21. Em geral, são os Governos Locais que têm tomado a iniciativa. No mundo todo, temos cerca de 1800 cidades com processos de Agenda Local em andamento, sendo que na Inglaterra 70 % das cidades já o estão fazendo. Mas não é só lá: em países pobres como a Bolívia ou as Filipinas este processo está bastante avançado. Um dos principais agentes de impulsionamento da Agenda Local é o ICLEI (Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais), sediado no Canadá, através de iniciativas como a Rede de Cidades para a Proteção Climática, o Programa Comunidades Modelos e a divulgação das Melhores Práticas Ambientais dos Governos Locais.