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Algumas características próprias
Inicialmente nas capitais e hoje já se
espalhando para cidades médias e pequenas, os processos de
Agenda 21 Local, que são eminentemente urbanos, guardam muitas
semelhanças com outros processos de planejamento participativo
ou de DLIS.
Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável - porém
destacam-se por algumas diferenças.
Entre as semelhanças podemos citar a abordagem
participativa e inclusiva que demanda a representação
de todos ou da maioria dos setores e interesses da comunidade no
processo de planejamento e desenvolvimento das atividades, o fortalecimento
da cidadania, a ênfase em atividades de capacitação
e os passos da metodologia de planejamento.
Quanto às diferenças, entre as mais
importantes estão - a perspectiva global e sua referência
internacional, o foco no desenvolvimento sustentável, a presença
obrigatória do governo e as transformações
pelas quais este deve passar ao longo do processo e a execução
pelos parceiros. Também merecem menção a ênfase
dada à inclusão de todos os setores e os esforços
que devem ser feitos neste sentido e sua função como
guarda-chuva integrador e sinérgico de programas dispersos.
Há ainda algumas outras diferenças
como, por exemplo, a questão do tempo. A Agenda 21 Local
é um processo longo mas que deve ligar os aspectos práticos
que podem ser resolvidos rapidamente a uma visão de longo
prazo. Isto pode acontecer em diversos níveis: uma iniciativa
imediata de reciclagem pode ser incorporada a uma estratégia
de longo prazo a para redução da quantidade de resíduos.
Um processo de Agenda 21 Local se distingue
por algumas características próprias:
Foco no Desenvolvimento Sustentável
Os processos de Agenda 21 Local têm o desenvolvimento
sustentável como foco e dão às questões
ambientais o mesmo peso que às econômicas e sociais.
Buscam mostrar as convergências e interdependências,
fomentando uma reflexão crítica sobre o modelo de
desenvolvimento que se deseja e suas conseqüências em
termos de crescimento econômico, justiça social e preservação
ambiental.
Este foco no Desenvolvimento Sustentável
pede, ainda, que sejam consideradas duas questões que normalmente
não são abordadas em outros processos de desenvolvimento:
a satisfação das necessidades das gerações
atuais não deve colocar em risco as possibilidades das futuras
gerações satisfazerem suas necessidades; e as mudanças
pedidas nos padrões de consumo dos países desenvolvidos
que servem de modelo para os países em desenvolvimento, e
são imitados pelas elites destes.
Referência internacional
A Agenda 21 Local é um processo que se
origina da Agenda 21 Global e está em curso em diversos municípios
de todo o mundo, guardando as características e peculiaridades
locais, mas mantendo uma unidade de propósitos.
O documento final resultante deste processo é
um Plano de Ação que transfere a perspectiva global
da Agenda 21 para o nível local, demonstrando como a comunidade
local 'se apropriou' do conceito de sustentabilidade e educando-a
sobre os impactos - locais e globais - de suas escolhas. Esta identidade
internacional possibilita a participação em redes
internacionais, facilitando a troca de experiências.
Presença obrigatória do
governo e sistemas de governança
Um processo de Agenda 21 Local deve contar, necessariamente,
com o apoio do governo local. Vontade política é o
fator mais decisivo para o sucesso ou fracasso da iniciativa. Como
se trata de um processo que afeta a governança e deve mudar
as práticas do governo na provisão dos serviços
ao cidadãos, não pode prescindir do envolvimento direto
e do protagonismo do governo local.
A Agenda 21 Local focaliza as questões de
governança - o processo deve começar internamente,
propiciando uma reorganização das políticas
e a integração das questões da sustentabilidade,
preocupações ambientais, econômicas e sociais,
em todas as áreas do governo. Também deve promover
a conscientização e a capacitação dos
funcionários municipais e identificar e implementar as mudanças
necessárias dentro do próprio governo.
Será preciso também rever as políticas
municipais, prioridades orçamentárias e práticas
e procedimentos internos para verificar sua compatibilidade com
o Plano de Ação e com os princípios do desenvolvimento
sustentável, além de monitorar as novas ou futuras
políticas, decisões e ações para garantir
sua consistência com o Plano de Ação.
Execução pelos parceiros
Muitos processos de planejamento pedem a participação
na elaboração, mas são executados apenas pelo
próprio governo ou através de contratados. A Agenda
21 Local pede que a participação se dê em TODAS
as etapas do processo, incluindo execução, monitoramento
e avaliação. Este é um ponto importante para
educar as comunidades e mantê-las envolvidas e comprometidas
com os resultados do processo.
A participação total da comunidade
na formulação de políticas e estratégias,
assim como no monitoramento e na avaliação, é
essencial para sucesso. Pessoas que geralmente são excluídas
dos processos decisórios precisam de capacitação
para criarem as condições necessárias à
sua participação integral nos espaços democráticos
- de outra forma esta participação pode vir a ser
apenas uma formalidade.
Guarda-Chuva - integração
de programas e instituições
A Agenda 21 Local deve promover sinergias entre
os programas já existentes, evitando a duplicação
de esforços e o desperdício de recursos - humanos
e materiais. Deve ser articulada com outras experiências e
iniciativas tais como o Orçamento Participativo, Fóruns
de Cooperativas e os Conselhos Municipais. Estes últimos,
por exemplo, são espaços já estabelecidos de
mediação entre governo e sociedade, mas como são
divididos por áreas há a necessidade de articulá-los
- um processo de Agenda 21 Local pode ocupar este espaço.
A Agenda 21 Local não requer que os programas
e projetos já existentes sejam desconsiderados, mas provê
uma estrutura que permite que estes sejam reunidos em uma estratégia
coerente, centrada na redução dos impactos das operações
da Prefeitura e da comunidade, tornando-os mais sustentáveis.
Parcerias amplas e inclusivas
A Agenda 21 Local pede que sejam feitos todos
os esforços para incluir no processo aqueles que sempre são
excluídos, dando-lhes condições efetivas de
participação e decisão. É importante
ter em mente as particularidades de alguns grupos e encontrar ações
adequadas para reagir a estas realidades. É preciso reconhecer
que existem desigualdades nas cidades em relação ao
acesso a serviços, renda e poder.
Uma Agenda 21 Local deve reconhecer estas diferenças
e os conflitos que delas se originam e levar em consideração
não só os grupos excluídos de melhores condições
de vida mas também aqueles excluídos do exercício
do poder. É fundamental pensar em como incluir estes grupos
nas dinâmicas das cidades.
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