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A experiência na organização
do processo de Agenda 21 permite reunir algumas técnicas
que podem ser muito importantes na parte mais delicada do trabalho:
a formação das parcerias e a manutenção
do interesse dos participantes. A maioria das técnicas descritas
podem ser adaptadas de acordo com cada situação, mas
em geral, servem como um guia para a resolução de
problemas.
Tempestade de idéias
'A melhor maneira de ter uma boa idéia
é ter muitas idéias.'
Linus Pauling
É uma maneira de trabalhar em grupo que
tenta descobrir soluções criativas para um problema.
Para que dê certo, precisamos seguir as regras, que devem
ser aceitas por todos os membros do grupo. Deve haver um coordenador
para conduzir a discussão e garantir o cumprimento das regras,
que são:
- Não é permitido criticar nem elogiar nenhuma idéia.
Não vale dizer: 'Isto não vai dar certo', 'Sim, mas...',
'Não', ou 'Esta é uma ótima idéia.'
- Receber bem todas as idéias. Mesmo que algumas idéias
não pareçam boas na hora, podem despertar outras melhores
- Gerar o maior número de idéias, sem se preocupar
com a qualidade
- Procurar melhorar as idéias. Tentar gerar mais idéias,
estimulando o grupo a elaborar as contribuições dos
outros membros
Dentre as idéias que surgirem, o grupo deve
esclarecer as dúvidas, selecionar as idéias mais adequadas,
discutindo prós e contras de cada uma e, finalmente, definir
uma escolha final que reflita a opinião de todo o grupo.
Resolução
de conflitos
'Raramente achamos que as pessoas têm
bom senso a não ser que concordem conosco.'
LaRochefoucauld
Conflitos no Grupo de Parceiros e nas Equipes
de Trabalho são inevitáveis, e podem ser usados de
forma positiva se forem identificados rapidamente. A partir das
divergências, é preciso construir um processo de consenso,
no qual os parceiros trabalhem juntos para tentar alcançar
um resultado benéfico para todos. Para isso, é essencial:
- Não permitir que o conflito se torne pessoal
- Definir o problema cuidadosamente como um problema comum a todos,
evitando posições mutuamente excludentes
- Focalizar questões, e não posições
- Não conciliar muito rápido para evitar uma discussão,
pois isso acaba impedindo um estudo aprofundado da situação
- Permanecer o mais neutro possível, e persuadir as pessoas
a entenderem os outros pontos de vista
- Dar tempo para que os ânimos esfriem - não tomar
decisões enquanto as pessoas estiverem zangadas ou com raiva
- Definir como as opiniões conflitantes serão registradas
se não for possível chegar a um consenso
O processo de consenso
Chegar ao consenso não significa adotar
a vontade da maioria, mas alcançar um entendimento geral.
Mesmo que nem todos concordem com todos os aspectos do acordo, o
consenso é alcançado se todos os participantes aceitarem
o 'pacote'.
Mediador: o mediador deve buscar oferecer
diferentes 'pacotes de soluções' nos quais busca contemplar
os interesses de todos, já que não é possível
chegar a um acordo num grupo com conflito de interesses através
de uma negociação por partes. É importante
manter sempre a comunicação com o 'outro lado'. O
mais importante é sempre perguntar e entender 'por quê'.
Sempre que houver um impasse, pedir ao 'outro lado' que explique
por que acha que a sua solução é melhor. É
uma forma de não perder de vista os interesses apegando-se
a posições.
Princípios do Processo de Consenso:
é importante estabelecer logo de início quais serão
os princípios e critérios que guiarão as decisões.
Eles serão importantes fontes de esclarecimento quando surgirem
os conflitos. Não importa o tempo gasto para que sejam estabelecidos
de comum acordo - este tempo terá sido bem empregado. Os
princípios do processo de consenso são:
- As pessoas precisam de um motivo para participar
do processo
- Todas as partes interessadas devem estar envolvidas no processo
- Todos os interessados devem participar voluntariamente
- Os participantes definem o processo de consenso
- A flexibilidade deve estar incluída no processo
- Todos devem ter acesso igual a informações relevantes
e à oportunidade de participar efetivamente do processo
- É essencial que todos aceitem os diversos valores, interesses
e conhecimentos dos envolvidos no processo
- Todos devem ser responsáveis perante quem representam e
pelo processo que concordaram em estabelecer
- São necessários prazos realistas
- O compromisso com a implementação e monitoramento
efetivos são partes essenciais de qualquer acordo
Além de tentar chegar a um acordo, o processo
de consenso deve tratar da implementação de seu resultado.
Várias coisas devem ser levadas em consideração:
quem é responsável pelo quê, os prazos e recursos
para os acordos alcançados, e o monitoramento dos resultados
Os resultados podem ser considerados bons quando:
- Atendem os interesses de todos os envolvidos
- Todos concordam que é justo
- Todos se comprometem
- A situação é melhor do que se não
houvesse nenhum acordo
- As relações entre os participantes continuam
- O resultado é socialmente aceitável, economicamente
exeqüível e tecnicamente possível.
Critérios para avaliar
opções e prioridades
Critérios servem como norma para um julgamento
ou apreciação - são princípios que nos
permitem distinguir o certo do errado. Os critérios nos dão
uma base para selecionar opções e prioridades. Como
sempre existem limitações financeiras, de tempo e
de recursos técnicos, é importante avaliar as opções
e prioridades de acordo com um conjunto de critérios comuns
que determinem suas possibilidades de realização e
suas vantagens.
A lista a seguir pode ser alterada ou aumentada
dependendo dos objetivos:
- Custo-benefício: é um dos critérios mais
importantes para avaliar alternativas. A pergunta é: 'Como
podemos alcançar o maior número de benefícios
com o menor custo?'. Ao comparar várias opções
é preciso ter cuidado para que os benefícios de cada
uma estejam descritos de forma que possam ser comparados
- Custo total: qual o custo total do objetivo ou opção?
- Benefícios econômicos: quais os benefícios
econômicos de cada opção ou objetivo, como,
por exemplo, aumentar o número de empregos?
- Eficácia para diminuir riscos: como esta opção
ou objetivo reduz ou previne os riscos à saúde pública,
ecologia ou qualidade de vida?
- Impacto ambiental: quais são os impactos ambientais da
opção ou objetivo?
- Justiça: de que forma os custos e benefícios de
cada opção ou objetivo estão distribuídos
entre as pessoas que serão afetadas?
- Flexibilidade: qual opção é mais fácil
de ser mudada se houver necessidade?
- Tempo para implementação: quanto tempo vai levar
para alcançar o objetivo ou implementar a opção?
- Aceitação pública/política: o objetivo
ou opção terá o apoio da comunidade e das autoridades?
- Possibilidades técnicas: o objetivo ou opção
é tecnicamente possível?
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