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Instituições e pessoas que já
estão 'na estrada' há vários anos sempre têm
histórias e experiências para contar que podem ser
verdadeiras aulas de implementação da Agenda 21 Local.
O exemplo a seguir trata da experiência da IULA (União
Internacional de Autoridades Locais).
A Experiência da IULA
Contexto
A experiência a seguir foi extraída
da apresentação de Gonzalo Darquea Sevilla, IULA/CELCADEL
na Conferência Regional Latino-Americana para os Acordos da
Agenda 21 Local (23-25 de maio de 2000) em Porto Alegre.
A IULA trabalhou com associações nacionais
em aproximadamente 500 municípios de 10 países nos
últimos 6 anos, em um programa que tinha como objetivo promover
a democracia, a descentralização, a cidadania e a
capacitação local.
O programa enfatizou a descentralização
municipal e a participação de organizações
comunitárias, envolvendo o nível intermediário
de governo - regional (províncias ou estados) - para que
estes pudessem agir como interface entre os municípios e
o governo central, articulando as políticas nacionais em
cada região.
Uma das premissas do programa era que para melhorar
o nível de vida local é preciso fortalecer a economia
local através da diversificação da base econômica,
melhorando as condições para atrair investimentos
e criar uma boa base para enfrentar a competição.
Processo
A metodologia empregada partia do princípio
que um plano estratégico municipal deve começar pela
descentralização, como a reforma democrática
do Estado. Isto é básico para se alcançar o
equilíbrio econômico e social e a sociedade (civil)
organizada deve estar envolvida nele. É necessário
que haja transparência em relação a todas as
ações e decisões, permitindo assim que se recupere
a confiança social e institucional, melhorando as relações
entre governo e sociedade através de canais de comunicação
entre o município e a comunidade.
O programa trabalhou através de quatro
linhas mestras:
- Democratização e descentralização
do governo local
- Fortalecimento da economia local
- Transparência, visibilidade e eqüidade na tomada de
decisões e uso dos recursos
- Fortalecimento das instituições municipais
Para ter sucesso e produzir mudanças
é preciso alcançar três objetivos intermediários:
- Mudar ou fortalecer a atitude das autoridades locais, líderes
comunitários e da própria comunidade, de paternalista
e autoritária para democrática e participativa.
- Institucionalizar o processo de participação através
da gestão democrática dos recursos ou sistemas de
orçamento participativo.
- Construir um Plano Estratégico Participativo, aprovado
pela Câmara, que possa dar apoio legal às iniciativas
e servir como guia para todos.
O processo se iniciou com uma grande assembléia
na qual todas as lideranças públicas e privadas foram
convidadas a participar e pensar sobre uma visão de futuro
que contemple quatro questões: econômica, social, territorial
e institucional. A assembléia cria grupos de trabalho ('mesas
de concertación') - cada qual é responsável
por um tema, fazendo o diagnóstico dos problemas, estabelecendo
objetivos e uma estratégia de ação, e implementando
as soluções. Também serve para formar o Comitê
de Desenvolvimento Local composto pelo Prefeito, os vereadores e
os presidentes das mesas de concertación. Esta assembléia
tornará a se reunir no meio do processo e no final para aprovar
o plano e o orçamento participativo.
Conclusão
As Universidades e ONGs tiveram um papel-chave
na replicação das ações, apoiando e
mantendo o processo. Este projeto se adaptou bem aos municípios
(especialmente os pequenos), impulsionou a cidadania, facilitou
a governança e mudou atitudes. Mas ainda há necessidade
de descentralização para que este direito possa ser
universal e acessível a todos e não depender de 3
ou 4 prefeitos.
As comunidades apreciaram a abertura de espaços
democráticos onde eles ainda não existiam - a metodologia
foi adaptada e sistematizada e estará disponível na
página da IULA na Internet (www.iula.net) brevemente. É
um processo transparente, com custos baixos e que só leva
um ano para ser institucionalizado.
Em relação à sua sustentabilidade
as principais questões são:
- O processo se inicia sem exigir um produto final
- A responsabilidade é local e compartilhada entre os moradores
locais
- O processo é integral e inter-seccional - não apenas
territorial
- Começamos com uma visão estratégica buscando
sinergias locais, regionais e nacionais
- Plano Estratégico é uma ferramenta, não o
produto final
- Incorporação do método de orçamento
participativo como uma ferramenta que leva à sustentabilidade
- O processo de seleção - começando pelos que
queriam e podiam, também foi muito importante
- Em cada município o processo começou nos bairros
que demonstraram maior interesse em participar - os outros vinham
depois devido ao sucesso demonstrado. A mesma coisa foi feita com
as 'mesas de concertación' e os municípios.
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