Duas lideranças feministas dos Estados Unidos e fundadoras da WEDO - Bella Abzug, uma ex-congressista democrata e Mim Kelber, jornalista e ativista - viram o processo preparatório para a ECO 92 como uma oportunidade única para promover as visões e a liderança das mulheres.

Para alcançar este objetivo, Abzug e Kelber reuniram mais de 50 lideranças femininas, incluindo congressistas, ativistas e intelectuais de 31 países, e juntas formaram o Comitê Internacional para Ação Política (IPAC), em outubro de 1990.

O primeiro passo para a construção de um movimento internacional de mulheres para o desenvolvimento sustentável foi criar a oportunidade para que elas desenvolvessem um conjunto de princípios e uma agenda consensual para ação. O I Congresso Mundial de Mulheres por um Planeta Saudável foi o ponto de partida.

Em 1991, este congresso se reuniu em Miami, Flórida, EUA. Com a presença de 1.500 mulheres de 83 países, o Congresso formulou e adotou unanimemente sua própria plataforma: a Agenda 21 de Ação das Mulheres.

 

'Existem muitas dimensões para a sustentabilidade. Primeiro, ela requer a eliminação da pobreza e da privação. Segundo, requer a conservação e melhoria da base de recursos, que sozinha pode garantir que a eliminação da pobreza seja permanente. Terceiro, requer que o conceito de desenvolvimento seja mais abrangente, compreendendo não apenas o crescimento econômico mas também o desenvolvimento social e cultural. Quarto, e o mais importante, requer a unificação da economia e da ecologia nos processos decisórios em todos os níveis.'
Primeira Ministra Gro Harlem Brundtland, Sir Peter Scott Lecture, Bristol, Reino Unido, 8 de outubro de 1986.

 

 

Agenda 21 de Ação das Mulheres

A Agenda 21 de Ação das Mulheres é um documento de princípios para o qual mulheres do mundo inteiro podem contribuir e também usar para defender os seus propósitos. A Agenda é um meio de encorajá-las a iniciar e liderar ações, recomendar medidas de responsabilidade na prestação de contas (accountability) às Nações Unidas e outras agências e instituições internacionais, governos, indústrias e organizações não-governamentais.

O primeiro capítulo, Direitos Democráticos, Diversidade e Solidariedade, apresenta as recomendações que deram forma ao movimento internacional das mulheres, afirmando a inclusão de suas visões e experiências em processos decisórios em todo o mundo.

A Agenda de Ação das Mulheres condena o uso da energia nuclear, o despejo desordenado de lixo e o uso de irradiação nos alimentos e pede a adoção de medidas mundiais para a eficiência e conservação de energia e o uso de fontes auto-renováveis como o sol, o vento e a água, além de pedir urgência para 'uma redução imediata de 50% dos gastos militares, realocando o dinheiro economizado para propósitos úteis social e ambientalmente'.

Entre as seções mais importantes do documento está o item 'Mulheres, Pobreza, Direitos da Terra, Segurança Alimentar e Crédito' da Agenda 21 de Ação das Mulheres, e que pede que 'as Nações Unidas, governos e organizações não-governamentais cessem as práticas discriminatórias que limitam o acesso das mulheres à terra e a outros recursos, aumentem a alocação de recursos que melhorem a segurança alimentar e provenham tecnologias apropriadas para reduzir o trabalho das mulheres.'

O tópico 'População e Meio Ambiente' foi um dos mais intensamente debatidos na ECO 92. Durante a discussão, as mulheres foram contra as insinuações de que a pressão demográfica é a principal causa da degradação ambiental, e indicaram que esta poderia ser encontrada 'nos poluentes industriais e militares, no lixo tóxico e nos sistemas econômicos que exploram e utilizam mal a natureza e as pessoas.'


 

Agenda 21 de Ação das Mulheres no nível local

O documento Agenda 21 de Ação das Mulheres coloca uma forte ênfase no nível local. A sustentabilidade é uma questão para todas as comunidades. No nível local, as mulheres podem se envolver e identificar de que forma suas questões específicas se relacionam com os com problemas da sustentabilidade.

As prioridades serão diferentes nas pequenas vilas do interior que estão perdendo o ambiente natural do qual seus empregos dependem e nas grandes cidades onde o crime e a pobreza ameaçam a qualidade de vida.

No Brasil, a REDEH planejou e coordenou o Curso de Capacitação do projeto "Fortalecendo a Participação das Mulheres nas Políticas Locais de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21", aplicado em seis municípios-referência do Estado do Rio de Janeiro: Resende, Macaé, Petrópolis, Volta Redonda, Duque de Caxias e Rio de Janeiro e que capacitou 213 mulheres.

O projeto tinha como objetivos:
- fortalecer a participação das mulheres nos processos locais de desenvolvimento sustentável do Estado;
- criar um processo integrador de implementação de políticas de gênero com as propostas da Agenda 21 Estadual e Agenda 21 Local das cidades
- consolidar uma metodologia de capacitação de lideranças femininas voltada para o fortalecimento da participação das mulheres na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas de desenvolvimento sustentável.

O curso foi administrado a lideranças femininas selecionadas nos seis municípios dando-lhes ferramentas práticas para qualificá-las para desempenhar seu papel nos processos decisórios e na implementação de políticas para o desenvolvimento sustentável. Em cada cidade, 30 mulheres ativas na administração pública e na sociedade civil foram selecionadas para fazerem o curso, que foi administrado na forma de 4 dias de workshops. No último dia de workshop as participantes tiveram a oportunidade de apresentarem suas idéias às autoridades locais. O curso incluía uma apostila, fitas cassete e vídeos detalhando a experiência e as técnicas de treinamento usadas para que sirvam como referência para outros municípios e estados brasileiros.

 

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