Estas são algumas das dificuldades mais freqüentes encontradas em programas de desenvolvimento local sustentável:
(Discussões apresentadas no Encontro Mundial de Desenvolvimento Local, realizado no Canadá, em outubro de 1998)

 

 
 

Dificuldades de ordem cultural

- Contrapor-se às influências do mercado ou de uma cultura assistencialista
- Combater o discurso dominante sobre a competitividade e respostas individualistas aos problemas sociais
- Desconfiança dos homens em relação a certas iniciativas das mulheres
- Ir contra o funcionamento tradicional das instituições
- Inadequação dos instrumentos escritos nas sociedades de tradição oral- Diferenças de concepção e de ritmo dos atores
- Falta de referências ou de modelos

 
 

Dificuldades ligadas à mobilização da população

- Mobilizar os habitantes em uma dinâmica associativa, fazendo com que assumam a associação
- Motivar os destinatários das ações
- Mobilizar a população quando se trata de projetos alternativos
- Falta de comunicação entre os atores sociais e sua base
- Sentimento de impotência geral frente à globalização
- Fazer as pessoas acreditarem que podem ter poder
- Envolver a população em atividades econômicas em grande escala - como fazer que os projetos complexos fiquem sob o controle da população e atores sociais, e não dos técnicos
- Fragilidade de certos grupos de bairros e territórios isolados
- Dificuldade em promover as discussões antes da chegada do financiamento (às vezes o financiamento vem antes das consultas serem feitas)

 

Dificuldades ligadas à inclusão dos excluídos

- Administrar a instabilidade e a falta de continuidade causadas pela luta pela sobrevivência
- Administrar as tensões no interior das empresas, ou de suas associações, entre profissionais, administradores, sócios, residentes ou membros
- Envolver na gestão das empresas as pessoas que têm dificuldades para ler e escrever
- Acompanhar e assessorar as pessoas desde o começo do projeto, e acompanhar as iniciativas

 

Dificuldades ligadas ao associativismo

- Harmonizar os enfoques e as ações dos associados que não têm as mesmas percepções de espaço-tempo, ou que têm culturas e enfoques diferentes (que podem ser conflitantes)
- Compartilhar a idéia de um projeto de desenvolvimento alternativo que não seja somente o reforço de um dos setores presentes no processo
- Manter o interesse e o entusiasmo dos associados em projetos ou instâncias de articulação mais complexas

 

Dificuldades de ordem ética

- Debater o sistema de valores subjacente às escolhas
- Viver um projeto de forma coletiva, considerando as diferenças e as dificuldades de integração de valores e princípios
- Assegurar a perenidade das experiências
- Renovar os laços entre os excluídos e os incluídos no mundo do trabalho e do emprego
- Estabelecer a pluralidade social e cultural sem transtornar as pessoas e seus valores

 

Questões ligadas à natureza e à missão dos organismos

- Integrar os objetivos econômicos aos sociais
- Promover o desenvolvimento econômico conservando seus serviços de vocação social e as atividades de educação popular
- Risco de ver o desenvolvimento definido em termos estritamente econômicos pelas instâncias locais e regionais, no sentido do enfoque econômico-turístico em detrimento do enfoque social, ecológico e cultural

 

Dificuldades ligadas à credibilidade e ao reconhecimento

- Dar a conhecer sua cultura e seus valores ao meio comunitário exterior
- Financiar tudo o que não se traduz por criação imediata de empregos (por exemplo: produção de projetos, formação, assessoria)
- Desafio de romper com a atomização, isolamento das experiências, falta de infra-estrutura comunitária, dispersão de forças, divergências de ponto de vista
- Enfrentar a questão da avaliação por indicadores externos

 

Dificuldades de ordem política

- Oposição daqueles a quem este modelo de desenvolvimento constitui concorrência
- Centralismo político que gera a política da espera
- Interpelar os atores políticos e fazer com que as ações locais relevem as instâncias políticas superiores

 

Dificuldades ligadas aos freios administrativos e políticos

- Problemas com a rigidez das normas e programas governamentais, e enfoques mal adaptados aos meios locais
- Decisões políticas que freiam as ações e projetos
- Lentidão e obstáculos administrativos

 

Dificuldades materiais, humanas e financeiras

- Fazer o cálculo financeiro (custo-benefício) de projetos alternativos (combinação de fontes monetárias e não-monetárias)
- Falta de competência técnica empresarial, e de gestão de parte de alguns atores
- Debilidade da formação das cooperativas e empresas coletivas
- Obrigação de recorrer ao voluntariado e ao tempo livre dos voluntários
- Responder a muitas demandas com poucos efetivos

 

Dificuldades particulares ligadas à relação local/global

- Questões da distância geográfica e o custo das trocas internacionais
- Diferenças culturais podem prejudicar a compreensão, mesmo quando os mesmos termos são utilizados na comunicação
- No caso das redes, dificuldade de compreender a organização social, a política de cada país e de converter as redes em algo permanente
- No caso das experiências norte-sul, dificuldades de assegurar financiamento, comunicação e reciprocidade, e a necessidade de sair de uma visão de caridade e assistencialismo, apresentando outra imagem
- Dificuldade de reproduzir ou adaptar as experiências de um país para outro

 

Dificuldades metodológicas

- Falta de metodologias apropriadas às realidades locais
- Dificuldade de aplicar metodologias com análise de gênero
- Refinar e clarificar a noção de desenvolvimento local e de seus instrumentos específicos