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O que é Agenda21?

Sustentabilidade

"Desenvolvimento sustentável significa usarmos nossa ilimitada capacidade de pensar em vez de nossos limitados recursos naturais." JUHA SIPILÄ , ex-diretor do Conselho Metropolitano de Helsinque.

O desenvolvimento sustentável envolve muito mais coisas além da proteção ambiental. Ele busca a reconciliação entre as pressões aparentemente conflitantes do desenvolvimento econômico, da proteção ambiental e da justiça social. Isto é possível sem que se rejeitem os benefícios trazidos pela tecnologia moderna, desde que a tecnologia também trabalhe dentro de limites. É uma estratégia para uma nova visão do futuro - não é um retorno ao passado.

"O verdadeiro objetivo do desenvolvimento é melhorar a qualidade de vida humana. Ser um processo que permita aos seres humanos realizarem seu potencial plenamente e levar vidas dignas e satisfatórias. O crescimento econômico é uma parte importante do desenvolvimento, mas não pode ser um objetivo em si mesmo, nem pode continuar indefinidamente. O desenvolvimento só é real se torna nossas vidas melhores." IUCN, UNEP e WWF - 1991

Um Pouco de História

A consciência sobre os limites do planeta surgiu de um longo processo, a partir da observação dos resultados indesejáveis do imenso progresso tecnológico ocorrido a partir dos anos 40 do século XX. Nesta época, além do desenvolvimento industrial, a agricultura "modernizou-se" e ganhou uma nova escala coma utilização de adubos químicos, herbicidas e similares. Mas, no início da década de 60, os efeitos sobre o meio ambiente e a saúde humana começaram a ser divulgados.

Em 1962, Rachel Carson publicou o livro “Primavera Silenciosa”, lançando uma ideia revolucionária à época: em vez de nos protegerem, os produtos químicos estavam nos matando.

Ao denunciar os estragos causados ao meio ambiente, Carson relacionou as pessoas à questão ambiental. Best-seller imediato, o livro mostrou a conexão entre poluição e saúde e, com isso, transformou grupos de conservação da natureza em um movimento que incluiu os direitos humanos e os de todos os seres vivos em suas demandas, reconhecendo a humanidade como parte da Natureza. A publicação de "Primavera Silenciosa" é considerada o início do movimento ambientalista.

O ano de 1968 foi um marco na história dos movimentos sociais, com a eclosão dos movimentos estudantil e hippie que sinalizavam o descontentamento popular com o modelo de capitalismo industrial.

Os anos 70 foram emblemáticos. Em 1969 foi publicada uma das imagens mais surreais da história: um rio pegando fogo em Cleveland. Em 22 de abril de 1970, 20 milhões de americanos celebraram o primeiro Dia da Terra. Em 1971, no Japão, foi concluído o julgamento que chamou atenção internacional para os efeitos de décadas de envenenamento de peixes e pessoas por mercúrio em Minamata.

Em 1972, o Relatório "Limites do Crescimento", do Clube de Roma, concluía que existem limites físicos para o crescimento em nosso mundo finito. Neste mesmo ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu 113 países na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano que ficou conhecida como Conferência de Estocolmo. Esta foi a primeira grande conferência internacional sobre questões ambientais, e um marco do início das políticas ambientais e dos processos de conscientização do mundo sobre as questões ligadas ao meio ambiente.

Em 1973, o canadense Maurice Strong usou pela primeira vez o conceito de eco-desenvolvimento, proposto por Ignacy Sachs, propondo uma nova teoria sobre desenvolvimento que levasse em conta os limites da natureza e a necessidade de melhor gerenciar (e valorar ) os recursos naturais. Em 1974 surgem os avisos sobre problemas com a camada de ozônio devido à utilização de gases organoclorados.

Ao final dos anos 70 surgem na Europa os primeiros Partidos Verdes reunindo em sua agenda política a questão ecológica com os direitos humanos, os direitos individuais, a questão de gênero, a solidariedade internacional, a participação, o pacifismo, o anti-racismo e o anti-nuclear.

Em 1983 as Nações Unidas criaram a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida por Gro Harlem Bruntland, que concluiu em seu relatório que ‘para satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazer suas necessidades', a proteção ao meio ambiente e o crescimento econômico deveriam ser abordados como uma única questão.

Como resultado do Relatório Bruntland, a Assembleia Geral das Nações Unidas convocou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD). Esta conferência, conhecida como Rio 92 ou Cúpula da Terra, aconteceu no Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho de 1992 e um de seus principais documentos é a Agenda 21.

O conceito de desenvolvimento sustentável

Mas, afinal, o que é ser sustentável? Definir sustentabilidade é um desafio porque é um conceito sistêmico que resulta das relações entre outros conceitos ou visões.

Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (2ª edição), desenvolvimento sustentável quer dizer desenvolvimento que pode continuar com sucesso no futuro. O dicionário define sustentável como "capaz de se sustentar"; e define sustentar como “segurar, suportar, apoiar (...) conservar, manter (...), alimentar física ou moralmente.”

O conceito de desenvolvimento sustentável foi consagrado no relatório "O Nosso Futuro Comum", como o que "satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades".

Nos discursos políticos e científicos, uma das fórmulas adotadas é definir desenvolvimento sustentável como aquele "economicamente viável, socialmente equitativo e ecologicamente sustentável".

Outra definição para sustentabilidade é: a condição na qual os sistemas natural e social sobrevivem e prosperam indefinidamente.

Uma das principais questões da sustentabilidade é como os desenvolvimentos social e econômico podem ser alcançados globalmente sem colocar em perigo os ecossistemas do Planeta. O cerne do conceito também pode ser descrito como o de assegurar qualidade de vida e criar as condições necessárias para a felicidade e o bem estar de todas as pessoas.

Poucos conceitos têm suscitado tantos debates e produzido tantas opiniões e, embora os termos “desenvolvimento” e “sustentável” cheguem a ser contraditórios pela ótica de certos autores, essa discussão pouco tem afetado a aceitação política do termo e suas consequências práticas.

Apesar de tantas conceituações diferenciadas e até mesmo antagônicas, há concordância sobre a existência de uma crise ambiental e social e que o modelo de desenvolvimento que vem sendo praticado se baseia em padrões insustentáveis de produção e consumo.

Como a sustentabilidade é essencialmente sistêmica, nenhuma pessoa, empresa ou nação pode alcançá-la sozinha. Será sempre o resultado de processos dinâmicos de construção e reconstrução de relações. E será, necessariamente, uma construção política. Resultado da busca dos consensos possíveis com base na integração das pessoas e no compartilhar das responsabilidades.

 
 
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